O maior verão de todos os tempos derrete o número de televisores ligados


Pelo segundo mês seguido o número total de televisores ligados diminuiu no Brasil. Os números levam em consideração não apenas a TV aberta, mas também a TV paga e o próprio streaming. Obviamente que, em sua jornada de queda, a TV aberta acaba sentindo mais o impacto, uma vez que já tem parte da sua audiência sendo atingida pela popularização de nova formas de consumo de mídia.


Vivemos há dois meses um cenário inédito na medição do ibope que vamos chamar aqui de 'maior verão de todos os tempos'. Historicamente o número de televisores ligados começa a cair em meados de novembro até a virada do ano. Período em que as pessoas tendem a aproveitar mais os dias ensolarados, fazer compras de final de ano, festas de família e de firmas, viagens, etc.


No entanto, o segundo semestre de 2021 tem representado para muitas pessoas um horizonte de final de pandemia. O retorno ao trabalho presencial, portanto, a mudança de hábito de muita gente que ficou mais de um ano dentro de casa, somado ao esgotamento completo das grades das emissoras que ainda exibem reprises de programas em profusão, aceleraram esse processo.


O que devemos ver daqui pra frente são números ainda menores no ibope até, pelo menos, a virada do ano. Eles podem começar a melhorar em meados de Janeiro, mas só devem pegar o elevador novamente após o carnaval.


Para tentar frear esse movimento a Record se defende com a reta final de Gênesis e do reality 'A Fazenda' e a Globo com a estreia de duas novelas inéditas na mesma época, algo que poucas vezes aconteceu na emissora carioca. Band e SBT seguem em um compasso de espera e guardam seus canhões de investimento para a época do retorno do share.


Por mais que estejam acostumados com essa oscilação é inegável que os executivos de TV estão andando em um terreno relativamente novo e guardam em seus pensamentos uma pergunta cada vez mais incômoda: o que devemos esperar depois do maior verão de todos os tempos?